Transformação Digital, Inovação e Pessoas

Com o tema Transformação Digital em alta, você já deve ter ouvido falar que atualmente os produtos e serviços necessitam evoluir mais rapidamente do que antigamente. Mas será que você realmente entendeu com que velocidade você precisa se atualizar?

Segundo a EY Consulting em uma pesquisa recente sobre Transformação e Inovação, demonstrou que 75% dos líderes acreditam que a onda de transformação coloca seus negócios em perigo, porem o grau de conhecimento sobre o que fazer, e como lidar com a transformação deixa a desejar.

A maior parte das empresas no Brasil ainda não trata de inovação de forma estruturada e estratégica. Possivelmente isto está ligado a mitos enraizados nas corporações, sugerindo que a inovação só é fruto de lampejos de criatividade, de um acaso produtivo ou do exercício do ócio.

Algumas empresas resolveram quebrar com estes mitos e partiram para criação de estruturas e processos que encarem de frente este momento de transição. Com isto estão trazendo a inovação para o centro das atenções, mirando a principal estratégia dos negócios na implantação de modelos que estimulem um novo pensar para os clientes. Pensar este que contamina profissionais e por consequência ideias e ações voltadas para transformação de produtos e serviços.

Apesar da grande maioria das empresas acreditarem que a mudança no comportamento dos clientes é fonte de oportunidades, um olhar atento precisa ser direcionado para a chegada dos concorrentes ágeis e disruptivos que já nasceram com mindset baseado no Analytics, Blockchain, IoT, Robótica e Inteligência Artificial, eles podem ser o motivo das mudanças no seu cliente.

Inovar é inevitável, e entender a “Transformação Digital” um caminho necessário. Quem inova, quem produz e quem aplica conhecimentos ainda são as pessoas. O Capital intelectual é quem molda a cultura corporativa, e somente por meio delas é que a magia poderá aconteça. Nunca foi tão necessária a compreensão de que as pessoas são o ponto mais importante de uma organização, e de que a transformação precisa ser a agenda do CEO e do seu board, eles devem estar dispostos a romper com modelos mentais utilizados no passado e dar atenção especial ao propósito que está sendo repassado para o time. Este ingrediente é a ignição da jornada de mudança nas pessoas, e acreditar na transformação delas (mais do que simplesmente trocá-las) é uma mensagem forte e precisa partir de dentro da organização. Incluímos aqui a adoção da diversidade (em todos os sentidos) para a construção de um pensamento e cultura inovadora.

A consultoria McKinsey, diz que 70% das empresas falham ao investir na transformação de seus times. A principal razão é a falta de atenção de seus líderes na comunicação clara dos objetivos e ganhos, a falta de agilidade para neutralizar pessoas resistentes e a inabilidade de aferir indicadores. A máxima da agilidade que afirma ter tolerância com o fracasso, não pode ser confundida com tolerância a incompetência. É verdade que a exploração de caminhos desconhecidos com estabelecimento de cotas de fracasso é uma prática das organizações inovadoras, mas elas também estabelecem altos padrões de desempenho para seus funcionários e sempre estão em busca de melhores talentos. Para conviver com a tolerância ao fracasso é preciso dispor de pessoas extremamente competentes, não queremos cultivar a negligência, a mentalidade medíocre e maus hábitos de gestão. Mais uma vez, é importante deixar claro os pontos de chegada, orientar corretamente sobre o que se espera de cada um e como eles serão recompensados pela entrega correta de suas responsabilidades individuais e coletivas. Culturas inovadoras podem incorrer em confusão no entendimento das metas devido a combinação de comportamentos aparentemente contraditórios e a liberdade para mudar rapidamente o que havia sido estabelecido. O líder precisa estar atento sobre a compreensão dos liderados em relação ao que está acontecendo, precisa ser transparente e falar abertamente sobre os fracassos como também comemorar as vitórias.

Outro aspecto das relações corporativas neste novo cenário, é a necessidade de relacionamentos mais sustentáveis com a cadeia a qual faz parte. Estabelecer parcerias e construir um ecossistema fugindo do modelo de empresas completamente autônomas, é um exercício estratégico salutar no caminho de construir valor através da criação colaborativa (co-creation). O termo “two-sides” utilizado pelas startups para perceber valor e construir em conjunto com o cliente, vai além do simples usuário final, atinge também todos que de forma direta ou indireta estão conectados na jornada que seu produto ou serviço entrega no mercado. É imperativo cuidar com carinho da experimentação (UX) dos clientes, ela precisa ser prazerosa e surpreendente cada vez mais.

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Como se vê, a Transformação Digital não se trata somente de bit’s e bytes. Dentre tantos pilares destacamos a necessidade do papel do RH nas empresas, ele precisa estar fortemente conectado com a liderança e calçado em um eficiente modelo de comunicação. A tão falada inovação está diretamente ligada a gestão de pessoas, inclui criar ambientes favoráveis e proporcionar segurança psicológica nos indivíduos, de forma que que tenham liberdade em questionar, sugerir e adotar ideias, conceitos ou processos sem que se sintam constrangidos diante de seus superiores. Uma mudança cultural não é fácil, tem opositores e sofrerá ataques durante a sua jornada. Ter resiliência é ingrediente fundamental para se manter firme neste caminho, entendendo que não há atalhos na formação de uma cultura.

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